O confronto sobre a mineração em águas profundas chegou a uma fase decisiva em 2026: o impasse na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) colide com o licenciamento unilateral dos EUA e a posição dominante da China na Zona Clarion-Clipperton. Sem regras de exploração finalizadas, a corrida pelos minerais do fundo do oceano redesenha alianças, cadeias de suprimento e conflitos ambientais.
O que é a mineração em águas profundas e por que importa em 2026?
A mineração em águas profundas visa nódulos polimetálicos — rochas ricas em níquel, cobalto, cobre e manganês que cobrem a planície abissal entre 4.000 e 6.000 metros. A Zona Clarion-Clipperton, com 4,5 milhões de km² no Pacífico, contém cerca de 21 bilhões de toneladas de nódulos, com mais cobalto que todas as reservas terrestres conhecidas, avaliadas em US$ 380 bilhões. Como a AIE projeta déficits de cobre e cobalto até 2035, esses depósitos viraram campo estratégico da transição energética.
Impasse regulatório: a 31ª sessão da ISA falha novamente
Na reunião de julho de 2026 em Kingston, Jamaica, as negociações do código de mineração da ISA pararam por mais um ano. Ficaram pendentes repartição de benefícios, limites ambientais, poderes de inspeção e escopo das atividades. A ISA também prorrogou por cinco anos o contrato da Nauru Ocean Resources, subsidiária da The Metals Company — medida que o Greenpeace chamou de precedente perigoso. As conversas recomeçam em março de 2027.
A via unilateral dos Estados Unidos
A ordem executiva de Trump (abril de 2025) reativou a Deep Seabed Hard Mineral Resources Act de 1980, e a regra final da NOAA de janeiro de 2026 criou um pedido consolidado de exploração. Em 2026, a subsidiária americana da The Metals Company apresentou o primeiro pedido, cobrindo 65.000 km² na CCZ com 619 milhões de toneladas de nódulos úmidos. O CEO Gerard Barron chamou a medida de caminho pronto para a independência mineral dos EUA.
Posição dominante da China
A China patrocina cinco dos 32 contratos ativos da ISA — a maior fatia entre os Estados —, cobrindo cerca de 225.000 km², com três na CCZ. Em 2025, China Minmetals e Beijing Pioneer obtiveram aprovação para testes-piloto, enquanto o programa chinês de mineração em águas profundas se expandia. Como os EUA não são signatários da UNCLOS, não têm voto nas regras da ISA, que serão escritas em grande parte sem participação americana.
Nações insulares do Pacífico no meio do confronto
Mais de 30 Estados apoiam moratória ou pausa preventiva, mas as nações insulares do Pacífico estão longe de unidas. Nauru é a maior defensora da mineração comercial via ISA; Ilhas Cook, Tonga, Kiribati e Niue buscam exploração com foco em ciência e governança; Palau, Fiji, Samoa, Vanuatu e Ilhas Marshall apoiam moratória até haver regras mais robustas.
Riscos econômicos e ambientais
O prêmio é enorme, mas os riscos também. Só na área pedida pela TMC há 15,5 milhões de toneladas de níquel, 12,8 milhões de cobre e 2 milhões de cobalto. Ainda assim, mais de 82 instituições que administram € 24 trilhões restringem investimentos no setor, e 39 empresas — incluindo BMW, Volkswagen e Samsung — apoiam moratória. Preocupam plumas de sedimento, ruído e perda de habitat; um teste de 2025 achou densidade macrofaunal 37% menor nas trilhas dos coletores.
O que acontece a seguir?
Com as conversas da ISA adiadas para março de 2027 e a revisão ambiental da NOAA em curso, 2026 pode ser lembrado como o ano em que a barragem regulatória começou a rachar. A convergência entre impasse, ação unilateral e demanda por cadeias de suprimento de minerais críticos sugere que a mineração comercial pode começar em áreas licenciadas pelos EUA antes de existir um código global.
FAQ: O confronto da mineração em águas profundas em 2026
O que é o confronto?
É o choque de 2026 entre o código paralisado da ISA, o licenciamento unilateral dos EUA, a área dominada pela China e o movimento global por moratória.
Por que a 31ª sessão da ISA falhou?
Não houve acordo sobre padrões ambientais, repartição de benefícios e poderes de inspeção, deixando 46 padrões pendentes.
Quanto a China controla na CCZ?
Cinco contratos da ISA, cerca de 225.000 km², incluindo três na CCZ — a maior fatia nacional.
Quais nações do Pacífico apoiam a moratória?
Mais de 30, incluindo Palau, Fiji, Samoa, Vanuatu e Ilhas Marshall; Nauru defende mineração comercial regulada.
Conclusão
A mineração em águas profundas não é mais fronteira teórica. Em 2026, o confronto entre uma ISA paralisada, a via unilateral americana e a vantagem chinesa redesenha o mapa geopolítico do fundo do oceano — e as escolhas deste ano moldarão o mar profundo por décadas.
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